:Agricultura sustentável já vive a revolução tecnológica em campo

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Agricultura sustentável já vive a revolução tecnológica em campo

O Seminário da Produção de Grãos Sustentáveis reuniu produtores da região de Londrina no Recinto Horácio Sabino Coimbra na manhã desta sexta-feira (14), em mais um evento técnico realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) em parceria com a Sociedade Rural do Paraná (SRP) e outras entidades estaduais ligadas ao agronegócio. O evento faz parte da grade técnica da programação da ExpoLondrina.

Na palestra de abertura, o engenheiro agrônomo Sérgio José Alves, gerente de Inovação do IDR-Paraná, mostrou dados dos últimos 40 anos de pesquisa em produção agrícola e como as inovações tecnológicas contribuíram para o aumento da área e da produtividade de soja no País.

“Estamos vivendo uma nova revolução, saindo da agricultura tradicional na qual temos bastante resultado com análise de solo, melhoramento de cultivares e rotação de culturas, para o uso de drones e aplicativos. É uma mudança no modo de produzir que já está em andamento”, comentou Alves. Segundo ele, o IDR-Paraná deve abrir concurso para contratar novos pesquisadores, que já devem ter essa nova visão da agricultura, para avançar um passo a mais na transferência de tecnologia.

“Quando eu me formei, a gente plantava 10 milhões de hectares (ha) de soja, hoje já são 43 milhões de ha; plantava 5 milhões de ha de milho, hoje planta 20 milhões de ha. Produzia 80 sacos de soja por alqueire, hoje tem gente produzindo 200. A inovação acontece e o produtor não pode ficar para trás”, avaliou o agrônomo.

Conforme ele, logo veremos drones pulverizando defensivo agrícola nas lavouras ou colhedoras movidas à eletricidade ou com painel solar. “Querendo ou não, a inovação vai acontecer. E será uma maneira de o produtor tradicional sentar e conversar com o filho dele e fazer a transição da tecnologia na propriedade.”

Alves acredita que drones para pequenas áreas e tratores e pulverizadores elétricos serão uma realidade para os agricultores paranaenses, ainda que a maioria das propriedades no Estado sejam pequenas, com menos de 50 ha.

“Com esse crescimento da soja no Brasil central, com o aumento de mais de 1,5 milhão de ha de soja por ano na região, talvez o Paraná tenha que investir em culturas de maior valor agregado, como estufas bioclimatizadas para produção de frutas, verduras e queijos.”

“Vai ter mercado para o grande produtor, que vai usar uma colhedeira de US$ 1 milhão, e vai ter mercado para um produtor menor, que vai fazer uma soja para alimento. E também vão ter máquinas pequenas, que é uma forte demanda da pesquisa, para facilitar o trabalho das pessoas no campo e usarmos melhor a mão de obra do campo e os recursos naturais, com sustentabilidade e produtividade”, previu Sérgio Alves.

Para ele, “parece que a inovação acelera e a busca por informação também”. “A gente tem inteligência artificial, tem robótica, tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e parece que o processo vai ser cada vez mais veloz.”

“É importante, para não ficarmos para trás, termos investimento em pesquisa e fazermos um instituto novo, que possa acompanhar todas essas novas tecnologias e colocar à disposição do produtor para que ele não perca competitividade.”

De acordo com o gerente de Inovação, o IDR-Paraná faz mais de 300 eventos de transferência de tecnologia por ano no Estado inteiro e está contratando mais 50 pesquisadores, totalizando mais de 100 pesquisadores em várias estações experimentais e equipes inteiras de assistência técnica em quase todos os municípios.

“Eu penso que a assistência técnica vai ser cada vez mais especializada e vai contribuir para aumentar a produtividade e a competitividade do agricultor. A agropecuária talvez seja o principal negócio do Brasil hoje e continuar expandindo e crescendo parece ser a nossa vocação. Nós temos mercado para crescer tanto na agroindústria como na própria produção, quanto no fornecimento de insumos e máquinas modernas”, projetou Alves.

Rotação de culturas aumenta lucratividade da propriedade em até 20%

O pesquisador do IDR-Paraná de Londrina Ivan Bordin falou sobre a importância de adotar estratégias de rotação de culturas para melhorar a produtividade nas lavouras de grãos e apresentou experimentos de sucesso do IDR-Paraná nesta área no Norte do Paraná.

“Resultados destes ensaios mostram alternativas para o produtor sair do binômio soja e milho safrinha, que, ao decorrer do tempo, causa degradação do solo, incidência de plantas daninhas e perdas econômicas em decorrência da estagnação da produtividade.”

“A rotação trabalha a longo prazo, trazendo melhoria de solo, ambiental e econômica, e você consegue ter uma maior resiliência do sistema. Nossa proposta de rotação de culturas viável, não muito diversificada, mas que pega pontos-chave do sistema soja e milho safrinha, que é o consórcio pontual de culturas.”

Segundo ele, o consórcio entre milho e braquiária aumenta a produtividade de grãos em pelo menos 10% e a lucratividade pode aumentar em 20%. “Vamos montar um projeto em parceria com as cooperativas do Norte do Estado para mostrar que a rotação é o futuro e promover um impacto em área e produtores.”

Ivan reforçou que para tornar a rotação viável é possível realizar pequenos ajustes no atual sistema produtivo, como usar a braquiária no milho, colocar o milho no verão a cada três anos para maior produção de palha, ou colocar uma planta de cobertura a cada três anos no inverno. “Com pequenas alternâncias eu consigo ganhar mais dinheiro.”

Manejo integrado reduz em quase 50% uso de químicos na lavoura

Renan Ribeiro Barzan é extensionista do IDR-Paraná e apresentou resultados de um projeto do instituto que dissemina o manejo integrado de pragas e doenças da soja, que engloba o monitoramento de insetos, com a identificação e quantificação, para poder tomar a decisão de usar ou não o controle químico ou orgânico para controle.

“Este trabalho do IDR-Paraná, realizado em parceria com a Embrapa Soja há dez safras, conseguiu uma redução de 50% no uso de inseticidas, mantendo a mesma produtividade da soja”, apontou Barzan, que também mostrou resultados do manejo integrado no controle da ferrugem asiática com o monitoramento do fungo causador da doença.

“Os resultados são semelhantes ao manejo de pragas, com redução de 40% no uso de fungicidas para manejo da ferrugem, gerando redução de custo para o produtor e aumento de rentabilidade.”

A adoção do manejo integrado vem aumentando no campo desde o início do projeto, mas não na velocidade desejada pelo IDR-Paraná, pois muitos agricultores ainda têm dificuldade em realizar o monitoramento constante da lavoura. Hoje, os extensionistas trabalham no manejo integrado de doenças com 250 produtores em todo o Estado e outros 200 produtores para o controle de pragas.

“É um trabalho minucioso que exige a presença do técnico na propriedade toda semana, então a gente não consegue expandir, com nosso corpo técnico, para muitos produtores”, justificou Barzan. Segundo ele, hoje são 100 extensionistas trabalhando neste projeto, sendo que cada técnico atende duas propriedades.

“O agricultor familiar pode procurar a assistência técnica do IDR e negociar com o técnico para que ele faça o acompanhamento na propriedade e possa instalar um coletor de poros, por exemplo, para fazer o manejo de doenças, ou fazer a amostragem de pragas com o pano de batida. É uma relação de confiança em que o produtor deve respeitar as recomendações do técnico”, concluiu o extensionista.

Cultivares tolerantes a doenças melhoram produtividade

A última palestra do seminário tratou do manejo de pragas sugadoras do milho, com foco no percevejo e na cigarrinha. “O percevejo ataca o milho novinho e pode causar distúrbios fisiológicos sérios, a ponto de matar a planta ou impedir que ela solte espiga, e com isso o prejuízo pode passar dos 40%”, comentou o pesquisador do IDR-Paraná Rodolfo Bianco.

Segundo ele, a cigarrinha ocorre no Paraná de modo cíclico desde meados dos anos 1980, com erupção de população a cada oito anos. “Por conta no aumento da área de milho no Estado, o plantio em diversas épocas e o problema do milho tiguera, resistente a herbicidas, que acabou virando outra planta daninha no meio da soja, a cigarrinha vem se mantendo no campo.”

“É preciso usar todas as táticas possíveis para reduzir população dessas pragas e diminuir a chance de ter o milho doente. Outro aspecto importante é a escolha de cultivar. Hoje, é preciso ter em campo cultivares pelo menos moderadamente tolerantes às doenças para que a gente possa ter boas produtividades de milho”, assinalou Bianco.

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Fonte: Expo Londrina
Por: Reda��o
Data: 15/04/2023 23h52min

Hospital do Câncer de Londrina


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