
Vereador retira de tramitação projeto de shopping investigado pelo Gaeco
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Joel Garcia, que prestou depoimento no sábado, disse que atendeu a um pedido dos promotores e negou ter recebido a oferta de qualquer tipo de vantagem para apresentar o projeto, que viabiliza a obra do empresário preso na sexta
O vereador Joel Gacia (PP) disse nesta segunda-feira (25) que vai retirar de tramitação o projeto de lei que faz alterações de zoneamento para viabilizar a construção de um empreendimento na zona sul pela empresa de Anderson Fernandes. O empresário foi preso na última sexta acusado de oferecer propina ao vereador Roberto Fú (PDT) para que este não polemizasse em cima do projeto que derruba a Lei da Muralha - que restringe a instalação de grandes supermercados e lojas de material de construção no perímetro urbano da cidade.
Joel Garcia prestou depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na manhã de sábado (23), mas informou que não podia comentar o teor da conversa a pedido dos promotores. Ao JL, o vereador contou que foi abordado pelo empresário Anderson Fernandes no prédio onde moram. Fernandes teria dito que há pelo menos um ano tentava aprovar o projeto da na prefeitura sem sucesso. O vereador, então, marcou uma reunião com o empresário, o advogado dele e o engenheiro responsável pela obra, em seu gabinete na Câmara. “O advogado [de Fernandes] me apresentou uma petição solicitando a apresentação do projeto”, afirmou. Ele negou ter recebido a oferta de qualquer tipo de vantagem do empresário para apresentar o projeto.
Crise completa dois meses
A investigação sobre a tentativa de suborno para que o vereador Roberto Fu (PDT) não “polemizasse” e aceitasse em silêncio uma derrota do seu projeto que acaba com a “lei da muralha” (161/2011) é um desdobramento de outra investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), esta sobre a tentativa de compra do voto de Amauri Cardoso (PSDB).
A crise da compra de voto – que seria para impedir a abertura da Comissão Processante (CP) sobre o caso Centronic - completa dois meses neste domingo. Em 24 de abril que o ex-secretário Marco Cito e o ex-servidor público foram presos em flagrante tentando subornar Cardoso. Uma semana depois, em 1º de maio, foram presos o ex-chefe de gabinete, Rogério Ortega, o ex-diretor de Participações da Sercomtel, Alysson de Carvalho e o vereador Eloir Valença (PHS).
Valença não teve a prisão temporária decretada e conseguiu voltar à Câmara. Carvalho conseguiu habeas corpus, mas voltou a ser preso. De acordo com Cardoso, nas negociações para a tentativa de compra do seu voto foram citados projetos de lei que poderiam gerar dinheiro para vereadores. A “lei da muralha”, motivo da prisão do empresário Anderson Fernandes, sexta-feira, foi uma delas. A outra é a chamada “lei da Unopar”, que concede o perdão de cerca de R$ 70 milhões de ISS atrasado à universidade particular.
O delegado Alan Flore, não confirmou, mas também não negou que outros vereadores devem prestar esclarecimentos sobre a suposta tentativa de compra de votos para o projeto anti-muralha dentro da Câmara. "Investigamos fatos que apontam nesse sentido", restringiu-se a afirmar o delegado.
Segundo Garcia, documentos como a planta do shopping, que prevê a instalação de um supermercado e mais 24 lojas, com geração de 400 empregos; o orçamento de R$ 20 milhões; e as contrapartidas oferecidas ao município, que incluem a construção de uma creche no Vista Bela, a continuação do asfalto na PR-445 e a doação de um terreno de 155 metros quadrados para a Prefeitura de Londrina – investimento de cerca de R$ 600 mil no total – foram apresentados a ele pelo empresário. Depois da conversa, Joel Garcia disse ter procurado o vereador Roberto Fú, já que o empresário teria dito ser amigo dele e porque o empreendimento está localizado na região da base de Fú. “Ele disse que ia verificar”, contou.
Fú também foi procurado
O vereador Roberto Fú (PDT) disse que também foi procurado pelo empresário Anderson Fernandes para apresentar o projeto que viabiliza a construção do mesmo empreendimento. "Eu orientei ele que esse projeto teria que vir do Executivo e adiantei que iríamos querer contrapartidas por conta do impacto causado pela obra na zona sul", afirmou. O vereador disse que, neste caso, o empresário não chegou a oferecer nenhum tipo de vantagem.
Questionado se Fernandes poderia ter oferecido propina a mais vereadores, Fú informou que nas conversas com o empresário tentou descobrir se mais alguém participava do "esquema", mas o empresário teria negado. "Em relação à Muralha, ele tinha sido orientado a falar só comigo."
Câmara diz que não há ilegalidade no projeto
Na Câmara de Vereadores, a informação é de que não há ilegalidade e que esse tipo de projeto é comum. A lei do Solo Criado 5853/1993 permite o uso do potencial construtivo diferenciado, como taxa de ocupação acima da permitida, o uso do recuo, a construção em uma altura superior à permitida em troca de contrapartidas.
Empresário teria oferecido R$ 40 mil a vereador
O empresário Anderson Fernandes, que é dono de empresas dos ramos de material de construção, transportadora e pedreira, teve a prisão temporária decretada sob a acusação de tentar subornar o vereador Roberto Fu (PDT). Ele foi detido por policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e encaminhado à Penitenciária Estadual de Londrina II (PEL II).
O empresário teria oferecido R$ 40 mil ao pedetista para que ele não polemizasse em cima do projeto de lei 161/2011, de autoria do vereador, que acaba com a chamada Lei da Muralha.
No mesmo dia, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, quatro na casa e em locais de Fernandes. Os outros dois foram na casa do empresário Everton Muffato, da rede de supermercados Super Muffato e no local onde ele trabalha.
A “Muralha” que Fu pretende derrubar foi aprovada em 2006 e proíbe a instalação de supermercados com mais de 1.500 metros quadrados e de lojas de construção civil de mais de 500 metros quadrados num perímetro que vai da rodovia PR-445, no limite sul, até a Avenida Henrique Mansano, no limite norte. De acordo com Fu, que procurou o Gaeco e gravou diversas conversas com Fernandes, o empresário falava em nome de Muffato.
Fonte: Toledo News
Por: Toledo News
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