:Repercussão de briga em novela surpreende atriz e provoca debate

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Repercussão de briga em novela surpreende atriz e provoca debate

Para Christiane Torloni, brasileiros querem 'dar na cara de muita gente'.
Psicanalista afirma que violência na ficção alivia estresse.


A surra que a personagem Melissa (Christiane Torloni), da novela “Caminho das Índias”, deu em Yvone (Letícia Sabatella), na semana passada, é candidata a entrar para a lista de momentos marcantes da teledramaturgia brasileira. Torloni está espantada, pois a cena teve uma repercussão bem maior do que ela esperava. Segundo a atriz, houve comentários “de desembargador a lavador de carros".


Mas, para Christiane, há um motivo especial que explica a comoção das pessoas: “Acho que se essa cena passasse em outro país não teria a mesma repercussão. Essa surra atende a uma necessidade de muitos brasileiros neste momento pelo qual o país está passando, de impunidade, má gestão do dinheiro público, crimes. O que as pessoas querem é dar na cara de muita gente. Então, teve um efeito catártico e essa vontade de se vingar foi aliviada".

Violência em ficção tem efeito de catarse

Na novela, a personagem Melissa foi movida pelo sentimento de vingança, após ser traída pelo marido, e usou a violência para dar o troco na amante. Ciúme, inveja, vingança, dor e sangue são ingredientes básicos da ficção, que sempre mobilizaram o público.


Para Mauro Vitor Mendlowicz, professor do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental da Universidade Federal Fluminense (UFF), o efeito catártico citado por Torloni é legítimo: cenas de violência na ficção aliviam agressividade.


“Isso esvazia a carga emocional, as pessoas liberam os estresses delas. Ser traído é a emoção mais intensa que existe, talvez a emoção mais potente, é o que mais suscita vingança e é bastante difícil de controlar”, afirmou o professor.

Mauro disse ainda que as mulheres, que por natureza são muito menos violentas, se sentem liberadas da agressividade que não são capazes de exercer: “É mais provável que isso contribua para que não haja crime do que contrario, porque quem vê a cena sabe que é ficção”.

Mas ele ressaltou que se fosse uma notícia, uma cena da realidade, a cena poderia provocar uma outra reação e, nesse caso, existiria o risco de ser ‘copiada’ pelo público. 

‘Toda mulher traída tem fantasia de se vingar’

A vice-diretora do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Rita Mansur, afirma que para alguém se identificar e chegar ao ponto de copiar a cena de uma novela é preciso já existir uma pré-disposição.

“É claro que toda mulher traída tem a fantasia de se vingar. A fantasia existe, mas daí a realizá-la é um abismo”, alegou a psiquiatra, alegando que o homem se vinga de forma mais perversa do que a mulher.

Para ela, a reação da personagem Melissa foi proporcional à história. Ela acredita que Yvone, que é uma psicopata na trama, reagirá com uma violência ainda maior. 

 

Ficção autoriza violência

Para o psicanalista Joel Birman e professor da UFRJ, na cena estavam em confronto duas psicopatas – Yvone, a clássica, e Melissa, “que se apossa dos bens do marido, vive em um mundo paralelo de futilidades e não reconhece a doença do filho, que é esquizofrênico, porque aquilo vai ferir a imagem dela na sociedade”.

Segundo Birman, a cena reproduz um padrão de comportamento que é instituído na sociedade brasileira. “Atingimos um nível de violência que hoje ela está em todos os espaços, inclusive nas relações amorosas”.

O psicanalista concorda que a violência na novela provoca um efeito catártico nas pessoas, mas, para ele, essa não é a única reação possível. De acordo com Birman, quando as pessoas se identificam com as cenas de ficção, se sentem autorizadas a agir a mesma forma na realidade:

“A relação das pessoas com o mundo da fama é de identificação. Filmes e novelas funcionam como parodia da vida, onde os atores ocupam lugar de ideais. A possibilidade de se sentirem autorizadas a agir igual existe. Só existe a catarse porque tem a identificação”.

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Fonte: Globo
Por: Antonio Delvair Zaneti
Data: 13/08/2009 00h51min

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